Pular para o conteúdo principal


OVERDOSE DE ROCK

GUNS 'N ROSES. Use your illusion I. Geffen, 1991.                                                      
GUNS 'N ROSES. Use your illusion II. Geffen, 1991.














O ano de 1991 foi um dos mais produtivos para o rock and roll. Red Hot Chili Peppers lançaram Blodsugarsexmagik (já debatido no blog), U2 lançou o ótimo Achtung baby!, o grunge surgiu com os badalados trabalhos do Nirvana (Nevermind) e Pearl Jam (Ten) e o Guns ‘n Roses lançou seu mais aclamado e ambicioso trabalho: dois álbuns duplos, lançados simultaneamente, intitulados Use your illusion.

O Guns já vinha de dois discos de grande repercussão: Appetite for destruction (1987) e Lies (1988). O primeiro mostrou ao mundo a que veio a banda, um proto-hard rock, recheado de solos incríveis de seu exímio guitarrista, Slash. O segundo arriscou por um caminho totalmente diferente, mostrando canções em ambiente acústico que estouraram nas rádios (como Patience, por exemplo).

Os fãs da banda já estavam ansiosos por um novo trabalho e tiveram que esperar por três intermináveis anos para serem apresentados ao projeto Use your illusion, que, diga-se de passagem, foi um enorme sucesso de vendas.

No tempo em que o vinil dominava, como veículo musical (esqueça o download, isso não existia), a banda resolveu que iria lançar de uma única vez dois álbuns duplos, cada um contendo 16 faixas, mesmo contra a vontade da gravadora, que achou que seria uma atitude suicida.

Os discos venderam quase um milhão de cópias no dia do lançamento, sendo até hoje (ninguém vende mais disco) um dos maiores sucessos de vendas da história da música no mundo.

Recheados com ótimas canções que flertam com o hard rock, blues e country, os dois Use your illusion escreveram seus nomes na história do rock, mostraram ao mundo a força criativa da dupla Axl Rose e Slash, e provaram que mais impostante que os ditames da indústria é a força do séquito de fãs. Por isso, os dois Use Your illusion são discos que devem ser ouvidos antes de você morrer.

Ouça Use your Illusion: https://youtu.be/ZD46yhWpjsg

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

SANTUÁRIO DO ROCK
THE CULT. Love. Beggars, 1985.
Em 1985, a banda inglesa The Cult, lançou seu segundo álbum. Recheado de referências e influências do Led Zeppelin, Love veio ao mundo, ressuscitando a psicodelia de Hendrix e as guitarras de Page, acompanhadas pelo vocal a la Plant do jovem vocalista Ian Astbury.
Na época, a banda foi saudada como a “mais vital das ilhas britânicas” (ESCOBAR, 1987, p. 34) e o álbum Love foi chamado de “uma aventura surpreendente” (BORBA JUNIOR, 1986, p. 18).
O fato é que em suas dez faixas, a banda trata de assuntos ligados à natureza (influência da atração de Astibury pela cultura ameríndia) como em Brother Wolf sister moon, drogas em Nirvana e espiritualidade em Hollow man.
O ponto alto, sem dúvida, é a faixa She sells sanctuary (vale a pena ver o clip oficial do single, presente na nossa playlist), onde o vocal de Astibury duela com os riffs da guitarra de Billy Duff, resultando em uma música de vibe avassaladora. Puro blues metaleiro dos anos 1980. A ba…
PALAVRAS SÃO NAVALHAS. BELCHIOR. Alucinação. Polygram, 1976.
Antônio Carlos Gomes Belchior Fontenelle Fernandes, ou simplesmente Belchior, cantor e compositor cearense, foi uma das mais importantes vozes no cenário musical brasileiro no período pós-1968, os chamados “anos de chumbo”. À essa época, o paísl vivia o ufanismo resultante do “milagre brasileiro” com a censura exercendo uma vigilância exacerbada sobre o meio artístico.
Nascido na cidade de Sobral, Belchior, teve uma infância simples, de menino do interior. Mudou-se para Fortaleza com o objetivo de continuar seus estudos, ingressando no Liceu do Ceará. Cursou Filosofia e chegou a iniciar o curso de Medicina. Em meio à criativa boemia do início dos anos 70, o jovem cantor resolveu largar a faculdade e encarar a “vida de artista”, mudando-se para o Rio de Janeiro em 1971.[1]
Em 1972, começou a obter o reconhecimento nacional a partir da gravação de Mucuripe pela cantora Elis Regina. Em 1974 lançou seu primeiro disco, A palo seco, c…
É UMA BRASA, MORA!
ROBERTO CARLOS. É proibido fumar. CBS, 1964.
Esqueça o Roberto Carlos cafona, que só usa azul e branco, interpretando seus sucessos radiofônicos bregas, exaltando a beleza da mulher pequena e dizendo “Esse cara sou eu”.
Na década de 1960, com a ascensão dos Beatles na Europa e Estados Unidos, surgiu no Brasil o estilo Iê Iê Iê (aportuguesamento de Yeah Yeah Yeah, presente na letra de She loves you, sucesso do quarteto de Liverpool).
O maior nome desse estilo musical no Brasil, mais tarde rebatizado de Jovem Guarda, foi justamente esse senhor septuagenário.
Roberto Carlos, fã incondicional de João Gilberto, tentou, em início de carreira, seguir os passos do mestre, lançando o LP Louco por você, em 1961, que se mostrou um desastre de vendas. Nesse disco, Roberto Carlos canta as dores do coração, assim como os astros e estrelas da década de 1950, lembrando muito o estilo samba-canção. Algo que a juventude daquela época não queria ouvir. Os jovens de então já estavam …